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Fraudes no INSS expõem ligações entre associações e empresas suspeitas em Brasília

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Duas associações investigadas por desvios milionários em benefícios do INSS, a Confederação Nacional dos Agricultores Familiares (Conafer) e a Associação dos Aposentados do Brasil (AAB), compartilham o mesmo prédio no Setor Comercial Sul de Brasília, com CNPJs ativos na Receita Federal. Ambas estão na lista de processos administrativos da Controladoria-Geral da União (CGU) por suspeitas de descontos ilegais em aposentadorias e pensões. A Conafer, por exemplo, é acusada de desviar pelo menos R$ 640 milhões, enquanto a AAB teria solicitado descontos indevidos em mais de 27 mil casos, incluindo benefícios de pessoas falecidas há décadas. Na operação da Polícia Federal nesta semana, mandados de prisão foram cumpridos contra dirigentes, como Cícero Marcelino de Souza Santos, ligado à Conafer, mas o presidente Carlos Roberto Ferreira Lopes segue foragido. O esquema envolvia núcleos político, financeiro e de comando para fraudes, com inserção de dados falsos em sistemas oficiais para cobrar mensalidades não autorizadas de aposentados e pensionistas.

Investigações revelam uma rede de conexões suspeitas, incluindo empresas no mesmo endereço de igrejas evangélicas pertencentes a sócios da AAB, como Dogival José dos Santos e Lucineide dos Santos Oliveira. Uma igreja na região do Recanto das Emas abriga, segundo a Receita, uma empresa de Samuel Chrisostomo do Bomfim Junior, contador da Conafer, mas o local só tem a instituição religiosa, levantando dúvidas sobre firmas fantasmas. Outras empresas de Samuel e Lucineide operam em um sobrado junto a negócios de Cícero, que admitiu na CPMI do INSS abrir empresas para repassar recursos da Conafer, movimentando R$ 300 milhões desde 2019. Durante depoimento, Cícero negou conhecer Samuel, apesar dos endereços compartilhados, e foi criticado por deputadas como Adriana Ventura por supostas empresas laranja beneficiando dirigentes e familiares.

A Operação Sem Desconto, deflagrada pela PF e CGU em 13 de novembro, cumpriu mandados em 17 estados e no DF, prendendo nomes como Alessandro Stefanutto, ex-presidente do INSS, e Vinícius Ramos da Cruz, do Instituto Terra e Trabalho. Os investigados são acusados de organização criminosa, estelionato previdenciário, corrupção e ocultação de patrimônio, com descontos mensais indevidos em pagamentos de beneficiários desavisados. A defesa de Cícero afirmou buscar acesso ao processo para se manifestar, enquanto tentativas de contato com outros envolvidos não obtiveram resposta.

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