A conclusão das obras de abastecimento de água no assentamento Terra Nova, em Arapoanga, expõe mais uma vez a lentidão das autoridades em garantir direitos básicos a populações vulneráveis do Distrito Federal, mesmo após anos de promessas não cumpridas.
Obra chega tarde para 1,4 mil moradores
A Caesb finalizou 3,7 km de rede de distribuição e 349 ligações domiciliares com investimento de R$ 680 mil, beneficiando cerca de 1,4 mil residentes. A governadora Celina Leão e o presidente da Caesb, Luís Antônio Almeida Reis, assinaram ainda ordem de serviço para iluminação pública, mas a ação reforça a dependência de programas emergenciais em vez de planejamento estrutural.
Antes da chegada da água tratada, moradores enfrentavam racionamentos constantes e precisavam recorrer a vizinhos ou esperar madrugadas para encher baldes. A medida, embora necessária, evidencia que o acesso regular demorou demais em uma região marcada pela informalidade fundiária.
Reivindicações antigas permanecem ignoradas
A gente não vive sem água. Não tem condição de viver sem água. A água chegou aqui ao Terra Nova, que, no dia em que eu vim aqui, chamei de terra prometida. Agora, o que eu vou pedir é esgoto. Depois do esgoto, entra o asfalto.
Celina Leão
Andreia Santos Costa relatou o sofrimento diário: “Era muito complicado. Não tinha água em todas as quadras. A gente tinha que sair na casa dos vizinhos perguntando onde tinha água e quando tinha água.” Mesmo com a tarifa social prevista, a ausência de esgoto e asfalto mantém o local em condições precárias.
Programa não resolve déficit maior de infraestrutura
O Água Legal é um atendimento humanitário. Ele independe da formalização fundiária, porque a gente precisa trazer água para as pessoas. Aqui são 3.770 metros de rede para chegar até a localidade e praticamente 350 ligações nessas casas. A gente fica muito satisfeito de atender mais essa comunidade.
Luís Antônio Almeida Reis
Apesar do alívio imediato, a assinatura de ordens de serviço para iluminação e promessas futuras de esgoto mostram que o Terra Nova continua à margem de investimentos permanentes, perpetuando a vulnerabilidade de seus moradores.