Delegacia especializada no DF completa 10 anos de combate à discriminação
No Distrito Federal, a Delegacia Especial de Repressão aos Crimes por Discriminação Racial, Religiosa, ou por Orientação Sexual, ou Contra a Pessoa Idosa ou com Deficiência (DECRIN/DF) marca, em janeiro de 2026, uma década de existência. Criada em 2016 por meio do Decreto nº 37.069 do Poder Executivo local, a unidade da Polícia Civil do DF (PCDF) surge como resposta à necessidade de um combate especializado contra violações a grupos vulneráveis. No entanto, após 10 anos, persistem questionamentos sobre sua efetividade em um cenário de crescentes denúncias de discriminação no Brasil.
Origens e pioneirismo na gestão
A DECRIN/DF foi estabelecida para atuar de forma dedicada no enfrentamento a crimes que afetam minorias raciais, religiosas, LGBTQIA+ e idosos ou pessoas com deficiência. A delegada Glaucia Cristina da Silva, pioneira na gestão da unidade, representou um marco inicial ao liderar investigações que visavam proteger esses segmentos da sociedade. Essa iniciativa do Distrito Federal reflete uma tentativa de alinhar a segurança pública com demandas sociais, mas críticos apontam que a especialização ainda esbarra em limitações orçamentárias e de pessoal na PCDF.
Desafios persistentes no combate à vulnerabilidade
Embora o propósito da DECRIN/DF seja louvável, o tom crítico se impõe ao analisar os resultados ao longo dessa década. No ano atual de 2026, relatórios indicam um aumento nos casos de discriminação racial e por orientação sexual no DF, sugerindo que a delegacia, apesar de seus esforços, não tem conseguido frear o avanço dessas práticas. A dependência de um decreto executivo para sua criação também levanta debates sobre a estabilidade institucional, especialmente em um contexto político volátil no Brasil, onde políticas de inclusão podem ser revertidas.
Perspectivas futuras e necessidade de fortalecimento
Para os próximos anos, especialistas defendem que a DECRIN/DF precise de mais investimentos e parcerias com entidades civis para ampliar seu impacto. A Polícia Civil do DF poderia integrar tecnologias modernas de investigação, como análise de dados para mapear padrões de discriminação, mas a ausência de avanços concretos nesses 10 anos expõe falhas sistêmicas. Em um país marcado por desigualdades, a continuidade dessa delegacia especializada é essencial, mas exige uma crítica constante para evoluir e verdadeiramente proteger os vulneráveis.