Início Distrito Federal Brasília enfrenta o abandono: PDOT pode reverter ruínas urbanas na capital?
Distrito Federal

Brasília enfrenta o abandono: PDOT pode reverter ruínas urbanas na capital?

28

Em Brasília, antigas estruturas que simbolizavam progresso agora representam ruínas, gerando insegurança, instabilidade estrutural e proliferação de doenças. De janeiro a novembro deste ano, a Secretaria DF Legal registrou 2.195 autuações a proprietários de áreas abandonadas, o equivalente a cerca de sete notificações diárias no Distrito Federal. Locais como a Torre Palace Hotel, no Setor Hoteleiro Norte; as instalações inacabadas da Escola Superior de Guerra, no Setor de Mansões Isoladas Norte; o Clube do Servidor, no Setor de Clubes Esportivos Norte; e um templo islâmico na 712/912 Norte acumulam lixo, vegetação alta, pichações e resquícios de incêndios. Esses espaços, visitados pela reportagem, atraem usuários de drogas e pessoas em situação de rua, com denúncias de tráfico e invasões, como relatado por um comerciante local que prefere anonimato por medo de represálias. Especialistas atribuem o problema a falhas econômicas, má gestão e uma economia dependente da máquina pública, sem diversificação como em outras capitais.

Recentemente aprovado pela Câmara Legislativa, o novo Plano Diretor de Ordenamento Territorial (PDOT) visa orientar o crescimento urbano pelos próximos 10 anos, com instrumentos como o Parcelamento, Edificação ou Utilização Compulsórios (Peuc), que obriga proprietários de imóveis vazios ou subutilizados a dar uso ao terreno, sob pena de sanções como IPTU progressivo e desapropriação. Benny Schvarsberg, arquiteto e professor da UnB, destaca que esses mecanismos podem combater a especulação imobiliária e o abandono, desde que haja estrutura técnica e vontade política do GDF. No entanto, Frederico Flósculo, também professor da UnB e doutor em desenvolvimento humano, critica o PDOT como um documento “imobiliário”, focado em investimentos da construção civil, sem diagnósticos sobre bem-estar populacional ou políticas para desenvolvimento humano, o que perpetua o abandono e o colapso institucional.

A Lei 6.911, sancionada em 2021, permite ao DF combater a deterioração urbana em imóveis abandonados, mas especialistas como Schvarsberg apontam falhas na aplicação, sem mapeamento organizado ou notificações efetivas. Flósculo reforça que a legislação é tímida, não responsabilizando gestores e proprietários adequadamente, ignorando causas estruturais. Órgãos como DF Legal atuam após denúncias, com multas de até 3,5% do valor venal do imóvel, enquanto a Defesa Civil avalia riscos e emite interdições. A Polícia Militar realiza patrulhas preventivas, e o Ibram planeja transformar a área da Escola Superior de Guerra em Parque Ecológico da Enseada Norte, embora sem projeto definido.

Conteúdo relacionado

Viatura da Polícia do DF em frente a abrigo em Brasília, expondo falhas no sistema de proteção a adolescentes.
Distrito FederalEntornoSegurança

Polícia do DF localiza adolescente desaparecida há um ano e expõe falhas em abrigos

Polícia Civil do DF encontra adolescente de 15 anos desaparecida desde 2025...

Rua na Asa Norte, Brasília, com equipamentos de manutenção de água da Caesb, ilustrando interrupção no fornecimento.
Distrito FederalPolítica

Caesb interrompe água na Asa Norte e afeta Presidência e Senado em domingo

Caesb anuncia interrupção de água na Asa Norte em 18/01/2026, afetando Presidência,...

Viaturas da PCDF em rua de Ceilândia durante operação contra tráfico de drogas, expondo falhas no combate ao crime.
Distrito FederalSegurança

PCDF deflagra Operação Vetus Notitia em Ceilândia e expõe falhas no combate ao tráfico de drogas

A PCDF deflagrou a Operação Vetus Notitia em Ceilândia, com prisões e...

Viatura da Polícia Civil do DF em cena de investigação de emboscada em rua de São Sebastião.
Distrito FederalSegurança

Polícia Civil do DF desvenda emboscada mortal por vingança em São Sebastião

Polícia Civil do DF desvenda homicídio brutal em São Sebastião: jovem de...