Início Distrito Federal Aborto legal em xeque: vítimas de estupro enfrentam barreiras no acesso a direitos previstos em lei
Distrito Federal

Aborto legal em xeque: vítimas de estupro enfrentam barreiras no acesso a direitos previstos em lei

42

No Distrito Federal, o Hospital Materno Infantil de Brasília (Hmib) atende vítimas de estupro que buscam aborto legal, garantido pelo Código Penal e pela Lei do Minuto Seguinte (Lei nº 12.845/2013). Só no primeiro semestre deste ano, 199 mulheres realizaram o procedimento na rede pública, incluindo 13 meninas entre 10 e 18 anos. Nos últimos três anos, 85 meninas acessaram o serviço no Hmib. A Polícia Civil registrou 833 casos de estupro no DF, com 561 sendo de vulnerável, envolvendo vítimas menores de 14 anos ou incapazes de consentir. O Programa de Interrupção Gestacional Prevista em Lei (PIGL) oferece suporte multiprofissional, sem necessidade de boletim de ocorrência – basta a declaração da vítima. A delegada Karen Langkammer, da Divisão Integrada de Atendimento à Mulher, enfatiza que o atendimento médico prioriza a saúde e não atrapalha investigações, defendendo um fluxo integrado entre saúde e polícia, conforme a Lei 13.931/2019, que obriga comunicação de casos de violência.

Apesar das leis, ativistas como Laura Molinari, da campanha Nem Presa Nem Morta e integrante do Conanda, alertam para o baixo número de abortos legais no Brasil: cerca de 2,4 mil anualmente, contra quase 100 mil casos de estupro. Ela destaca que 30 meninas de até 14 anos dão à luz diariamente, revelando falhas no acesso. A Resolução nº 258/2024 do Conanda reforça que o procedimento não depende de autorização judicial ou limite gestacional, mas um Projeto de Decreto Legislativo (PDL) aprovado na Câmara dos Deputados busca sustá-la, gerando críticas. O governo federal, via ministérios das Mulheres e dos Direitos Humanos, vê o PDL como retrocesso inconstitucional, que dificulta a proteção de vítimas. No DF, a Defensoria Pública auxilia em casos de negativa, como gestações acima de 22 semanas ou ausência de responsáveis, com dois atendimentos nos últimos anos.

O PDL, agora no Senado sem movimentações, preocupa por potencialmente criar barreiras, segundo Molinari, que defende judicialização se necessário. Enquanto isso, vítimas no DF podem acessar o PIGL diretamente no Hmib ou por agendamento, destacando a urgência de políticas que garantam direitos sem entraves.

Conteúdo relacionado

Viatura da Polícia do DF em frente a abrigo em Brasília, expondo falhas no sistema de proteção a adolescentes.
Distrito FederalEntornoSegurança

Polícia do DF localiza adolescente desaparecida há um ano e expõe falhas em abrigos

Polícia Civil do DF encontra adolescente de 15 anos desaparecida desde 2025...

Rua na Asa Norte, Brasília, com equipamentos de manutenção de água da Caesb, ilustrando interrupção no fornecimento.
Distrito FederalPolítica

Caesb interrompe água na Asa Norte e afeta Presidência e Senado em domingo

Caesb anuncia interrupção de água na Asa Norte em 18/01/2026, afetando Presidência,...

Viaturas da PCDF em rua de Ceilândia durante operação contra tráfico de drogas, expondo falhas no combate ao crime.
Distrito FederalSegurança

PCDF deflagra Operação Vetus Notitia em Ceilândia e expõe falhas no combate ao tráfico de drogas

A PCDF deflagrou a Operação Vetus Notitia em Ceilândia, com prisões e...

Viatura da Polícia Civil do DF em cena de investigação de emboscada em rua de São Sebastião.
Distrito FederalSegurança

Polícia Civil do DF desvenda emboscada mortal por vingança em São Sebastião

Polícia Civil do DF desvenda homicídio brutal em São Sebastião: jovem de...