Início Distrito Federal Negros na saúde: trajetórias de resistência que inspiram o futuro
Distrito Federal

Negros na saúde: trajetórias de resistência que inspiram o futuro

272

No mês da Consciência Negra, profissionais negros na área da saúde destacam-se por suas trajetórias de resistência e liderança, contribuindo para um sistema mais inclusivo no Distrito Federal. Dados da Secretaria de Saúde (SES-DF) revelam que 15.487 pessoas autodeclaradas pretas ou pardas atuam na rede pública, representando uma presença ainda em construção. A fisioterapeuta neonatal Janayna Bispo, chefe da UTI Neonatal do Hospital Universitário de Brasília (HUB-Unb/Ebserh), com 18 anos de experiência, ingressou no cargo via cotas raciais em 2014 e enfrenta desafios como o racismo institucional, que afeta tanto profissionais quanto pacientes. Ela relata casos em que pacientes negros se sentem mais acolhidos por ela, como uma mãe que, pela primeira vez, se sentiu “vista” em uma UTI, o que melhorou a evolução do bebê. Janayna organiza eventos como “Raízes que curam” para promover formação antirracista no HUB.

A neurologista Júlia Carolina Ribeiro, do Hospital DF Star da Rede D’Or, enfatiza a resiliência necessária para superar barreiras raciais e de gênero na medicina. Ela observa que precisou se dedicar mais para competir em igualdade, mas encontrou oportunidades em ambientes com políticas de inclusão. Júlia inspira jovens ao mostrar que a cor da pele não limita o progresso profissional, e recorda uma paciente centenária surpresa por ser atendida por uma médica negra. Já a técnica de enfermagem Eudes Judith Félix, com 20 anos na SES-DF na Unidade Básica de Saúde 20 de Planaltina, enfrenta agressões verbais e termos pejorativos, mas usa a educação para afirmar sua capacidade. Ela nota que pacientes negros a procuram por se sentirem mais confortáveis, destacando a importância da representatividade.

O estudante de enfermagem João Victor Moraes, 22 anos, da Universidade de Brasília (UnB) no campus Ceilândia, vê sua presença na universidade como resultado de políticas públicas e uma esperança para jovens negros. Ele combate o racismo institucional, especialmente na assistência a mulheres negras e indígenas, afetadas pela alta mortalidade materna. Para João Victor, o Dia da Consciência Negra simboliza vitórias coletivas, incentivando a persistência para um sistema de saúde mais justo. Essas histórias ilustram como a representatividade negra transforma o cuidado e a pesquisa, resistindo a desigualdades estruturais.

Conteúdo relacionado

Plenário vazio da CLDF em Brasília simbolizando precariedade de educadores físicos
Distrito FederalPolítica

Sessão na CLDF homenageia educadores físicos, mas ignora precariedade da categoria

A sessão solene agendada para esta terça-feira, 1º de setembro de 2026,...

Rua na Asa Norte em Brasília com faca no chão após agressão impedida
Distrito FederalSegurança

Policial militar de folga impede agressão com faca na Asa Norte

Um policial militar de folga impediu uma agressão com faca na Quadra...

A Justiça entrou com processo contra o Discord por descumprimento de normas do ECA Valter Campanato/Agência Brasil
Distrito FederalSegurança

Discord é intimado a apresentar medidas de proteção a crianças em audiência no DF

Uma audiência de conciliação foi marcada para a próxima quarta-feira, 3 de...

Ações de voluntariado do TJDFT em Samambaia e Ceilândia, Distrito Federal.
Distrito Federal

TJDFT celebra Dia Nacional do Voluntariado com ações em Samambaia e Ceilândia

No Dia Nacional do Voluntariado, marcado em 28 de agosto, o TJDFT...