Início Distrito Federal Abandono de patrimônio arquitetônico em Brasília revela tensões diplomáticas
Distrito Federal

Abandono de patrimônio arquitetônico em Brasília revela tensões diplomáticas

73

Projetada em 1961 pelo arquiteto João Filgueiras Lima, conhecido como Lelé, a Residência César Prates foi a primeira obra residencial do profissional na capital federal, encomendada por um amigo e assessor do ex-presidente Juscelino Kubitschek. O projeto incorpora elementos característicos da arquitetura moderna brasileira, como sheds para iluminação e ventilação natural, integração entre espaços internos e externos, e uso de materiais aparentes como pedra bruta, madeira e concreto. No entanto, o imóvel, pertencente a uma embaixada estrangeira, encontra-se em estado de abandono avançado, com jardins tomados por mato, ferrugem, rachaduras e pichações, o que tem gerado frustração entre especialistas e moradores locais. O arquiteto e professor da UnB Adalberto Vilela destaca que a casa representa o início da trajetória de Lelé, vinculada a uma tradição que valoriza materiais naturais e espacialidade fluida, incluindo inovações como um sistema de umidificação por gotejamento de água em paredes de pedra, essencial para o clima seco de Brasília.

Vizinhos relatam impactos diretos do descaso, como insegurança, proliferação de ratos, baratas e focos de dengue devido ao acúmulo de água parada, afetando a saúde de famílias inteiras. A servidora pública Andrea Pires Figueiredo menciona incidentes de roubo e vandalismo, enquanto a advogada Ana Cristina Santana aponta riscos sanitários que desvalorizam imóveis na região. A filha de Lelé, a arquiteta Adriana Filgueiras Lima, expressa tristeza pelo deterioro e teme que a embaixada planeje demolir a estrutura para outros fins, defendendo uma restauração que preserve suas características originais. O advogado Hélio Figueiredo Júnior critica a falta de respeito ao patrimônio cultural de Brasília por parte de uma representação estrangeira, cobrando providências.

O Correio Braziliense buscou contato com a embaixada, que informou ter recebido esclarecimentos do Itamaraty via Alcindo Li, mas sem detalhes públicos sobre o futuro do imóvel. Órgãos como a Secretaria de Saúde e a Defesa Civil do DF não podem intervir sem permissão diplomática, destacando as limitações impostas por protocolos internacionais em casos que envolvem propriedades de embaixadas.

Conteúdo relacionado

Viatura da Polícia do DF em frente a abrigo em Brasília, expondo falhas no sistema de proteção a adolescentes.
Distrito FederalEntornoSegurança

Polícia do DF localiza adolescente desaparecida há um ano e expõe falhas em abrigos

Polícia Civil do DF encontra adolescente de 15 anos desaparecida desde 2025...

Rua na Asa Norte, Brasília, com equipamentos de manutenção de água da Caesb, ilustrando interrupção no fornecimento.
Distrito FederalPolítica

Caesb interrompe água na Asa Norte e afeta Presidência e Senado em domingo

Caesb anuncia interrupção de água na Asa Norte em 18/01/2026, afetando Presidência,...

Viaturas da PCDF em rua de Ceilândia durante operação contra tráfico de drogas, expondo falhas no combate ao crime.
Distrito FederalSegurança

PCDF deflagra Operação Vetus Notitia em Ceilândia e expõe falhas no combate ao tráfico de drogas

A PCDF deflagrou a Operação Vetus Notitia em Ceilândia, com prisões e...

Viatura da Polícia Civil do DF em cena de investigação de emboscada em rua de São Sebastião.
Distrito FederalSegurança

Polícia Civil do DF desvenda emboscada mortal por vingança em São Sebastião

Polícia Civil do DF desvenda homicídio brutal em São Sebastião: jovem de...