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Luziânia ainda registra 2,6 vezes mais homicídios que o Distrito Federal

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Luziânia, vizinha do Gama, registra 27,1 homicídios por 100 mil habitantes, a maior taxa entre as cidades do Entorno, contra 10,3 do Distrito Federal. Fonte: Atlas da Violência 2026 (Ipea e Fórum Brasileiro de Segurança Pública), com dados de 2024.
Luziânia, vizinha do Gama, registra 27,1 homicídios por 100 mil habitantes, a maior taxa entre as cidades do Entorno, contra 10,3 do Distrito Federal. Fonte: Atlas da Violência 2026 (Ipea e Fórum Brasileiro de Segurança Pública), com dados de 2024.

Em setembro de 2026, o slogan de que Goiás possui a melhor segurança pública do Brasil encontra sua prova mais dura nas cidades que fazem divisa com o Distrito Federal. Os números do Atlas da Violência 2026 mostram que Luziânia registra 27,1 homicídios por 100 mil habitantes, Novo Gama 24,1, Planaltina de Goiás 22,3 e Valparaíso de Goiás 21,1, enquanto o Distrito Federal apresenta taxa de 10,3. Essa diferença, de até quase três vezes, concentra-se exatamente na faixa onde milhares de goianos dormem e trabalham do outro lado da linha.

O Entorno como régua do presente

Em julho de 2026, o Ranking de Competitividade dos Estados 2026 colocou Goiás em 10º lugar no pilar de Segurança Pública, com nota 43,4. A jornalista Fabiana Pulcineli, no podcast Papo Político nº 1032 da CBN Goiânia, destacou que o estado já havia caído para 17º em 2024 e que os indicadores de qualidade dos registros pioraram ainda mais.

Na segurança pública o Estado ficou este ano em décimo lugar, mas já tinha piorado muito em 2024 e ficou em 17º.

Fabiana Pulcineli, jornalista, no podcast Papo Político nº 1032, da CBN Goiânia

O 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, com dados de 2025, registrou 16,5 mortes violentas intencionais por 100 mil habitantes em Goiás, mais que o dobro das taxas de Santa Catarina e São Paulo. Esses números estaduais, porém, mascaram a concentração de letalidade nas cidades do Entorno.

O que os registros revelam e o que ainda falta

O Atlas da Violência 2026, o Ranking de Competitividade 2026 e o Anuário de 2025 convergem ao mostrar que a média goiana melhorou em relação a anos anteriores, mas não se sustenta como a melhor do país quando se olha para a periferia metropolitana. Goiás aparece em 23º lugar em qualidade da informação criminal, 19º em mortes a esclarecer, 17º em violência sexual e 13º em feminicídio.

Goiás está muito mal nesse item que trata dos registros estatísticos, que é responsabilidade do Estado. Aparece em 23º.

Fabiana Pulcineli, jornalista, no podcast Papo Político nº 1032, da CBN Goiânia

Em 7 de setembro de 2026, o governador Daniel Vilela afirmou que Goiás conquistou sua independência porque é um Estado seguro. A afirmação, feita no Dia da Independência, contrasta com a realidade vivida por quem cruza diariamente a divisa para trabalhar em Brasília.

Goiás conquistou sua independência porque é um Estado seguro. E é assim que vai continuar.

Daniel Vilela, governador de Goiás, em 7 de setembro de 2026

O crescimento populacional acelerado das cidades do Entorno ocorreu sem que os serviços de segurança acompanhassem na mesma proporção. A responsabilidade pela segurança nessas localidades cabe ao governo estadual, independentemente da origem dos fluxos de trabalhadores.

Da média estadual à cobrança por metas verificáveis

Reconhecer a queda real da letalidade em Goiás nos últimos anos não impede constatar que o superlativo “melhor do Brasil” não se aplica ao Entorno. O problema é compartilhado entre os dois lados da divisa, mas a resposta precisa ser estadual e específica.

Um plano para o Entorno deve conter metas numéricas, prazos definidos e dados publicados periodicamente sobre homicídios, qualidade dos registros e mortes a esclarecer. Sem esses elementos, o discurso de continuidade não se traduz em resultado mensurável para quem vive na fronteira.

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