No último dia 16 de janeiro de 2026, uma visita do Laboratório de Sistemas de Informações Espaciais (LSIE) da Universidade de Brasília (UnB) ao Instituto de Criminalística (IC) no Distrito Federal marcou um passo questionável na integração de inteligência artificial (IA) à perícia técnico-científica. O encontro, que visava alinhar projetos de IA para fortalecer a Seção de Crimes contra o Meio Ambiente (SCMA) e a Seção de Incêndios e Explosivos (Sinex), levanta dúvidas sobre a real efetividade dessas iniciativas em um contexto de recursos limitados e demandas operacionais crescentes. Com um investimento de R$ 1 milhão da Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal (FAP-DF), o Núcleo de Inteligência Artificial (NIA) coordena tecnicamente os esforços, mas a adesão às necessidades reais da perícia permanece sob escrutínio.
Detalhes da visita e participantes
A visita ocorreu na sede do Instituto de Criminalística (IC), vinculado ao Departamento de Polícia Técnica (DPT), e envolveu representantes do LSIE da UnB, além de equipes da SCMA e Sinex. O foco principal foi alinhar a execução de projetos de IA, fomentados por um edital vencido pelo NIA. Essa colaboração institucional, embora promissora em teoria, expõe as fragilidades de parcerias acadêmico-policiais, onde a coordenação negocial e institucional recai sobre SCMA e Sinex, potencialmente sobrecarregando estruturas já estressadas.
Investimentos e coordenação técnica
O aporte de R$ 1 milhão da FAP-DF destaca o compromisso com inovações em IA, mas críticos questionam se esse montante é suficiente para gerar impactos significativos na perícia. A coordenação técnica pelo NIA visa garantir que as soluções de IA atendam às demandas operacionais da SCMA e Sinex, como análises de crimes ambientais e investigações de incêndios e explosivos. No entanto, a ausência de métricas claras de sucesso pode transformar esse esforço em mais um projeto burocrático, sem resultados tangíveis para a sociedade.
Objetivos e implicações futuras
O principal objetivo da visita foi fortalecer as atividades periciais, assegurando que as tecnologias de IA se adaptem às realidades do campo. Essa iniciativa poderia revolucionar a detecção de crimes contra o meio ambiente e a análise de sinistros explosivos, mas persistem preocupações com a privacidade de dados e a ética na aplicação de IA em contextos sensíveis. Em um ano como 2026, marcado por desafios ambientais crescentes, tal parceria é essencial, embora exija maior transparência para evitar desperdícios.
Perspectivas críticas
Enquanto o Distrito Federal avança nessa integração, é imperativo questionar se esses projetos priorizam efetivamente a justiça e a eficiência pericial, ou se servem apenas como vitrine tecnológica. A colaboração entre UnB, IC e FAP-DF merece aplausos cautelosos, mas sem avaliações rigorosas, o risco de falhas operacionais permanece alto. A sociedade adulta, ciente das complexidades da criminalística, deve cobrar resultados concretos para justificar investimentos públicos em IA.