Início Distrito Federal Brasília enfrenta o abandono: PDOT pode reverter ruínas urbanas na capital?
Distrito Federal

Brasília enfrenta o abandono: PDOT pode reverter ruínas urbanas na capital?

75

Em Brasília, antigas estruturas que simbolizavam progresso agora representam ruínas, gerando insegurança, instabilidade estrutural e proliferação de doenças. De janeiro a novembro deste ano, a Secretaria DF Legal registrou 2.195 autuações a proprietários de áreas abandonadas, o equivalente a cerca de sete notificações diárias no Distrito Federal. Locais como a Torre Palace Hotel, no Setor Hoteleiro Norte; as instalações inacabadas da Escola Superior de Guerra, no Setor de Mansões Isoladas Norte; o Clube do Servidor, no Setor de Clubes Esportivos Norte; e um templo islâmico na 712/912 Norte acumulam lixo, vegetação alta, pichações e resquícios de incêndios. Esses espaços, visitados pela reportagem, atraem usuários de drogas e pessoas em situação de rua, com denúncias de tráfico e invasões, como relatado por um comerciante local que prefere anonimato por medo de represálias. Especialistas atribuem o problema a falhas econômicas, má gestão e uma economia dependente da máquina pública, sem diversificação como em outras capitais.

Recentemente aprovado pela Câmara Legislativa, o novo Plano Diretor de Ordenamento Territorial (PDOT) visa orientar o crescimento urbano pelos próximos 10 anos, com instrumentos como o Parcelamento, Edificação ou Utilização Compulsórios (Peuc), que obriga proprietários de imóveis vazios ou subutilizados a dar uso ao terreno, sob pena de sanções como IPTU progressivo e desapropriação. Benny Schvarsberg, arquiteto e professor da UnB, destaca que esses mecanismos podem combater a especulação imobiliária e o abandono, desde que haja estrutura técnica e vontade política do GDF. No entanto, Frederico Flósculo, também professor da UnB e doutor em desenvolvimento humano, critica o PDOT como um documento “imobiliário”, focado em investimentos da construção civil, sem diagnósticos sobre bem-estar populacional ou políticas para desenvolvimento humano, o que perpetua o abandono e o colapso institucional.

A Lei 6.911, sancionada em 2021, permite ao DF combater a deterioração urbana em imóveis abandonados, mas especialistas como Schvarsberg apontam falhas na aplicação, sem mapeamento organizado ou notificações efetivas. Flósculo reforça que a legislação é tímida, não responsabilizando gestores e proprietários adequadamente, ignorando causas estruturais. Órgãos como DF Legal atuam após denúncias, com multas de até 3,5% do valor venal do imóvel, enquanto a Defesa Civil avalia riscos e emite interdições. A Polícia Militar realiza patrulhas preventivas, e o Ibram planeja transformar a área da Escola Superior de Guerra em Parque Ecológico da Enseada Norte, embora sem projeto definido.

Conteúdo relacionado

Mesa de almoço com pratos avícolas em homenagem no Distrito Federal, Brasília.
Distrito FederalEconomiaPolítica

Governador Ibaneis Rocha é homenageado por avicultores do DF em almoço

Governador Ibaneis Rocha recebe homenagem de avicultores do DF em almoço na...

Mochila infantil com gravador escondido em creche de Brasília, representando caso de maus-tratos flagrados no DF.
Distrito FederalSegurança

Mãe flagra maus-tratos em creche no DF com gravador escondido na mochila do filho

Mãe no DF descobre maus-tratos em creche ao esconder gravador na mochila...

Condomínio de apartamentos no Itapoã Parque, com 480 unidades entregues, elevando total para 8 mil no Distrito Federal.
Distrito FederalPolítica

Governador Ibaneis entrega 480 apartamentos no Itapoã Parque e eleva total para 8 mil

Governador Ibaneis entrega 480 apartamentos no Itapoã Parque, elevando total para 8...

Complexo residencial Reserva do Parque em construção no DF, com prédios modernos e áreas verdes, representando investimento de R$1 bi do GDF.
Distrito FederalEconomiaPolítica

GDF lança Reserva do Parque com 7 mil apartamentos e R$1 bi de investimento

GDF lança o Reserva do Parque com 7.020 apartamentos em 13 condomínios...