No Distrito Federal, o endividamento das famílias alcançou níveis alarmantes em novembro, com 76,7% dos brasilienses endividados, um salto em relação aos 68,9% registrados no mesmo período de 2024, segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC) da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). Isso representa cerca de 822 mil pessoas afetadas, impulsionado pelas festas de fim de ano, reajustes salariais de servidores públicos e aumentos nos preços e juros. A inadimplência também cresceu, passando de 32,8% para 41,7%, com a maioria das dívidas concentrada em cartões de crédito (80,1%), seguidos por crédito pessoal e financiamentos de carro e casa. Especialistas como a economista Mônica Beraldo destacam que compras por impulso, especialmente em presentes e ceias de Natal, agravam o problema, enquanto Eloy Corazza, do Conselho Regional de Economia do DF, aponta o impacto dos juros elevados nos financiamentos.
Histórias pessoais ilustram o drama: Daniel Sousa, de 24 anos, luta para quitar um empréstimo consignado e prestações de um carro, planejando economizar para liquidar a dívida em 2026. Thaís Cavalcante, 36, de Samambaia, enfrenta dificuldades com o cheque especial devido à insuficiência salarial, e Neureny Rodrigues Barbosa, 42, da Cidade Ocidental, superou o endividamento ao zerar cartões e optar por pagamentos à vista. João Paulo Penha, 36, de Taguatinga, enfatiza a importância do equilíbrio financeiro após período de desemprego. Maressa Campos, especialista em investimentos, alerta para os riscos do rotativo do cartão e sugere usar o 13º salário para amortizar dívidas com juros altos, priorizando despesas de janeiro como IPVA, IPTU e matrículas escolares.
Para evitar o endividamento crônico, os experts recomendam planejamento rigoroso, como listar despesas e aplicar adaptações da regra 50-30-20 para orçamentos. José Aparecido Freire, presidente do Sistema Fecomércio-DF, reforça a educação financeira e a renegociação de dívidas. Dados da PEIC mostram que famílias com renda até 10 salários mínimos são as mais afetadas (82,1% endividadas), com apenas 17,3% dos inadimplentes confiantes em quitar tudo, enquanto 40% preveem compromissos superiores a um ano.