Início Segurança Família de cabo vítima de feminicídio no Exército nega relacionamento e aponta machismo hierárquico como motivação
Segurança

Família de cabo vítima de feminicídio no Exército nega relacionamento e aponta machismo hierárquico como motivação

127

A defesa da família de Maria de Lourdes Freire Matos, cabo do Exército de 25 anos assassinada por um soldado subordinado, refutou veementemente a alegação de que a vítima mantinha um relacionamento com o agressor, Kelvin Barros da Silva, de 21 anos. Em nota divulgada nas redes sociais, os representantes da família classificaram como falsa qualquer insinuação de envolvimento amoroso, sugerindo que o crime pode ter sido motivado pela recusa em aceitar a autoridade feminina na hierarquia militar. Maria, que ingressara na instituição há cinco meses como musicista no 1º Regimento de Cavalaria de Guardas, foi descrita como uma jovem discreta, séria e dedicada aos estudos. Segundo a defesa, o contexto aponta para uma violência extrema direcionada à condição de mulher, com a vítima sendo atraída ao local, esfaqueada e incendiada, o que reforça indícios de feminicídio enraizado em questões de gênero e poder.

Kelvin Barros da Silva confessou o crime à Polícia Civil do Distrito Federal, alegando que o ato ocorreu após uma discussão sobre um suposto relacionamento extraconjugal. De acordo com o delegado Paulo Noritika, a vítima teria exigido que o soldado terminasse com sua namorada para assumi-la, sacando uma arma de fogo, momento em que ele a desarmou, pegou uma faca militar da cintura dela e a esfaqueou no pescoço. Em seguida, no desespero, o agressor incendiou o local usando álcool e um isqueiro, fugindo com a pistola da vítima, da qual se desfez posteriormente. O Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal foi acionado para conter as chamas, e o corpo de Maria foi encontrado no regimento.

A prisão em flagrante de Barros foi convertida em preventiva durante audiência de custódia no Núcleo de Audiências de Custódia, e o Exército Brasileiro anunciou sua expulsão das fileiras. Em nota oficial, a instituição lamentou a perda, prestou apoio à família e reiterou que não tolera atos criminosos, com punição rigorosa aos responsáveis. Foi instaurado um Inquérito Policial Militar para investigar o caso, com perícias realizadas pela Polícia do Exército, Polícia Civil e Corpo de Bombeiros. O episódio levanta debates sobre a prevenção de violência de gênero em ambientes militares, onde hierarquias podem agravar tensões.

Conteúdo relacionado

Viatura da Polícia Federal estacionada em frente ao Banco de Brasília, representando operação de prisão.
Distrito FederalPolíticaSegurança

Governadora Celina Leão comenta prisão de ex-presidente do BRB pela PF

A governadora do Distrito Federal, Celina Leão, comentou na quinta-feira, 16 de...

Exterior de tribunal em Planaltina, DF, representando julgamento de chacina no Centro-Oeste, com bandeiras e arquitetura local.
EntornoSegurança

Julgamento da maior chacina do Centro-Oeste inicia com cinco réus em Planaltina

No Fórum de Planaltina, iniciou-se na manhã de 13 de abril de...

Viatura da PMDF em Brasília, simbolizando expulsão de oficiais por omissão nos atos de 8 de janeiro.
Distrito FederalPolíticaSegurança

PMDF expulsa cinco ex-oficiais condenados por omissão nos atos de 8 de janeiro

A Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) expulsou cinco ex-integrantes de sua...

Foto: Carlos Gandra / Agência CLDF
Distrito FederalPolíticaSegurança

Câmara Legislativa aprova projetos contra crimes no DF em meio a falhas na segurança

Câmara Legislativa do DF aprova seis projetos contra violência escolar, drogas e...