Uma tragédia abalou a Quadra 8 do Setor Oeste da Estrutural, em Brasília, na tarde de 21 de novembro, quando Iraci Bezerra dos Santos Cruz, 43 anos, confessou o assassinato de Rafaela Marinho, uma menina de apenas 7 anos. Rafaela, descrita pela família como extrovertida e amorosa, estava na casa do pai, Ivanei Matos, 48 anos, desde o início da semana, com planos de retornar para a mãe, Fabiana Marinho, 36 anos, em Goiás, após o fim das aulas em 10 de dezembro. Os pais são separados, e a criança passava a maior parte do tempo com o pai durante a semana, exceto nos fins de semana. Iraci, companheira de Ivanei, atribuiu o crime a uma “vontade repentina” motivada por ciúme, uso de drogas e álcool. Em depoimento na 8ª Delegacia de Polícia, ela detalhou ter tentado dopar a menina com um pano embebido em álcool, asfixiando-a em seguida com um cinto e tentando pendurá-la em uma pilastra. Após o ato, vestiu-se e se apresentou voluntariamente à polícia, expressando arrependimento ao final do interrogatório.
A investigação revelou que Iraci era foragida da Justiça do Pará, com mandado de prisão expedido em março de 2024 por outro homicídio: o assassinato de seu ex-marido, com quem teve quatro filhos. Ela fugiu para Brasília após o crime, onde conheceu Ivanei há um ano e passou a morar com ele, impondo regras na casa. A delegada Bruna Eiras, chefe da 8ª DP, indiciou Iraci por feminicídio, com aplicação da Lei Henry Borel e agravantes como meio cruel, impossibilidade de defesa da vítima, motivo fútil, crime contra menor de 14 anos e relação de madrasta. A pena pode chegar a 40 anos. Fabiana, a mãe de Rafaela, lamentou a perda em prantos, destacando que a filha não relatava maus-tratos, mas expressava desconforto em ficar na casa do pai. A última conversa entre elas ocorreu na véspera, quando Fabiana prometeu buscá-la.
A comunidade reagiu com revolta, com moradores exigindo justiça e até chutando o portão da casa do crime. A família, sem condições financeiras, iniciou uma vaquinha via PIX para custear o enterro, cuja data ainda não foi definida. O caso destaca vulnerabilidades no sistema de justiça, como a fuga de foragidos entre estados, e reforça debates sobre proteção infantil em contextos familiares instáveis, especialmente em regiões como a Estrutural. Iraci foi transferida ao Complexo da Polícia Civil e passará por audiência de custódia.