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Cúpula dos Povos entrega manifesto crítico ao capitalismo na COP30 em Belém

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No domingo, 16 de novembro, considerado o único dia de folga da 30ª Conferência das Nações Unidas para Mudanças Climáticas (COP30), a Cúpula dos Povos encerrou suas mobilizações em Belém com a entrega de uma carta assinada por 1.109 organizações sociais e políticas ao presidente da conferência, o embaixador André Corrêa do Lago. O documento, construído por povos tradicionais de todo o mundo, critica duramente o racismo ambiental, a transição energética sob lógica capitalista e o fracasso do atual modelo de multilateralismo e do modo de produção capitalista, apontado como a principal causa da crise climática. Entre as propostas, o manifesto lista pelo menos 15 intervenções, defendendo que bens comuns como ar, florestas, águas e terras não sejam apropriados como propriedade privada, e alerta para o domínio de grandes empresas nos espaços de decisão política.

Ao receber a carta, Corrêa do Lago se comprometeu a levá-la aos espaços de negociação da COP30, que envolvem 195 países em busca de consenso sobre redução de gases de efeito estufa, financiamento para iniciativas climáticas e transição energética. Ele expressou otimismo, afirmando que a COP30 pode ser “a COP da virada” e elogiou o papel da sociedade civil mundial em Belém. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em carta lida pela ministra do Meio Ambiente e Mudança Climática, Marina Silva, destacou a importância da Cúpula dos Povos para viabilizar o evento, afirmando que “outro mundo é possível e necessário”. Lula confirmou sua ida a Belém na quarta-feira, 19 de novembro, para encontro com o secretário-geral da ONU, António Guterres, visando fortalecer a governança climática. O evento contou com a presença de Sônia Guajajara, ministra dos Povos Indígenas, e Guilherme Boulos, da Secretaria-Geral da Presidência.

Corrêa do Lago também recebeu uma carta da Cúpula das Infâncias, elaborada por cerca de 700 crianças e adolescentes, que expressam medo do futuro diante do aquecimento global, com relatos de dores de cabeça e cansaço pelo calor excessivo. O documento pede ações como proteção à Amazônia, criação de áreas verdes perto de escolas, educação ambiental desde a infância e inclusão de jovens nas decisões sobre clima e preservação. “Queremos continuar vivos e vivas, crescer no mundo bonito, no mundo que ainda respire, com esperança e sem medo”, diz o texto, destacando a urgência de tornar as discussões climáticas parte do cotidiano.

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