No Hospital Universitário de Brasília (HUB), o grupo Guerreiras de Rosa reúne mulheres que enfrentam ou superaram o câncer de mama, promovendo uma rede de apoio emocional e psicoeducativo. Fundado em 2010 pela psicóloga Juscileia Rezende, de 49 anos, o grupo começou como sessões fechadas para trabalhar recursos emocionais diante da doença, mas evoluiu para encontros mensais com até 90 participantes. Atividades incluem exposições, piqueniques no Parque da Cidade e capacitações psicossociais, onde as mulheres aprendem a identificar sinais de risco e fortalecer mecanismos de defesa. Juscileia, atualmente chefe do Setor de Gestão da Pesquisa e Inovação Tecnológica em Saúde do HUB, destaca que o grupo cria vínculos duradouros, com um “núcleo duro” de 16 a 20 mulheres nos encontros presenciais, mesmo com perdas que deixam cadeiras vazias, mas memórias vivas.
Histórias como a de Jannety Rodrigues, de 53 anos, ilustram o impacto transformador do grupo. Diagnosticada em 2015, ela vivia em negação até participar de um ensaio fotográfico em 2016, que a fez sentir acolhida e motivada a ajudar outras. Gislaine dos Santos, de 64 anos, enfrentou preconceito externo, mas encontrou solidariedade no grupo, onde colegas rasparam o cabelo em apoio durante seu tratamento. Iraci Costa, técnica de enfermagem de 53 anos, viu as sessões de quimioterapia como “gotinhas de cura” e doou seu cabelo após a recuperação. Nádia Tavares, de 59 anos, lidou com um segundo diagnóstico em 2016, mudando de endereço para ficar perto de uma amiga do grupo, que faleceu posteriormente.
Juscileia Rezende também foi apoiada pelo grupo ao enfrentar câncer de tireoide durante a pandemia, percebendo que poderia ser cuidada além de cuidar. O Guerreiras de Rosa enfatiza empatia, compaixão e companheirismo, trocando informações sobre tratamentos e mantendo contato para evitar isolamentos, reforçando que o apoio mútuo transforma desafios em força coletiva.