O ex-presidente Jair Bolsonaro foi preso preventivamente neste sábado após violar sua tornozeleira eletrônica, descumprindo medidas cautelares impostas pelo Supremo Tribunal Federal (STF). De acordo com a decisão do ministro Alexandre de Moraes, o equipamento foi violado à 0h07, disparando um alarme que acionou a equipe de vigilância da Secretaria de Administração Penitenciária do Distrito Federal. Bolsonaro admitiu ter usado um ferro de solda para tentar abrir o dispositivo, o que foi confirmado em relatório enviado ao STF. Moraes destacou o risco de fuga, especialmente devido à proximidade da residência de Bolsonaro com embaixadas estrangeiras, como as dos Estados Unidos, Argentina e Hungria, e citou casos de aliados como Alexandre Ramagem, Eduardo Bolsonaro e Carla Zambelli, que deixaram o país para evitar prisões relacionadas à tentativa de golpe de Estado em 2022. A Polícia Federal conduziu Bolsonaro à sua superintendência por volta das 6h, sem algemas e com respeito à sua dignidade, garantindo atendimento médico integral.
A desconfiança sobre as intenções de Bolsonaro aumentou após o senador Flávio Bolsonaro convocar uma vigília em frente ao condomínio do pai em Brasília, na noite de sexta-feira, o que foi interpretado como uma tentativa de causar tumulto e acirrar a polarização política. Moraes classificou as ações dos filhos Eduardo e Flávio como “iniciativas patéticas” em defesa de uma organização criminosa responsável pela trama golpista, comparando o ato aos acampamentos pós-eleições de 2022. Bolsonaro, que estava em prisão domiciliar desde 4 de agosto por investigações sobre coação à Justiça e incentivo a ataques ao STF, passará por audiência de custódia neste domingo via videoconferência, com participação da Procuradoria-Geral da República e de sua defesa. Os advogados têm 24 horas para responder sobre a violação da tornozeleira.
Nesta segunda-feira, a Primeira Turma do STF, composta por Flávio Dino, Cármen Lúcia, Alexandre de Moraes e Cristiano Zanin, realizará uma sessão extraordinária virtual para analisar a prisão preventiva. O colegiado, que condenou Bolsonaro a 27 anos de prisão por liderar a tentativa de golpe após a derrota para Luiz Inácio Lula da Silva, também avaliará recursos pendentes. Com o fim do prazo para novos embargos, a expectativa é de rejeição, pavimentando o caminho para o trânsito em julgado e a execução da pena em regime fechado.