No mês da Consciência Negra, profissionais negros na área da saúde destacam-se por suas trajetórias de resistência e liderança, contribuindo para um sistema mais inclusivo no Distrito Federal. Dados da Secretaria de Saúde (SES-DF) revelam que 15.487 pessoas autodeclaradas pretas ou pardas atuam na rede pública, representando uma presença ainda em construção. A fisioterapeuta neonatal Janayna Bispo, chefe da UTI Neonatal do Hospital Universitário de Brasília (HUB-Unb/Ebserh), com 18 anos de experiência, ingressou no cargo via cotas raciais em 2014 e enfrenta desafios como o racismo institucional, que afeta tanto profissionais quanto pacientes. Ela relata casos em que pacientes negros se sentem mais acolhidos por ela, como uma mãe que, pela primeira vez, se sentiu “vista” em uma UTI, o que melhorou a evolução do bebê. Janayna organiza eventos como “Raízes que curam” para promover formação antirracista no HUB.
A neurologista Júlia Carolina Ribeiro, do Hospital DF Star da Rede D’Or, enfatiza a resiliência necessária para superar barreiras raciais e de gênero na medicina. Ela observa que precisou se dedicar mais para competir em igualdade, mas encontrou oportunidades em ambientes com políticas de inclusão. Júlia inspira jovens ao mostrar que a cor da pele não limita o progresso profissional, e recorda uma paciente centenária surpresa por ser atendida por uma médica negra. Já a técnica de enfermagem Eudes Judith Félix, com 20 anos na SES-DF na Unidade Básica de Saúde 20 de Planaltina, enfrenta agressões verbais e termos pejorativos, mas usa a educação para afirmar sua capacidade. Ela nota que pacientes negros a procuram por se sentirem mais confortáveis, destacando a importância da representatividade.
O estudante de enfermagem João Victor Moraes, 22 anos, da Universidade de Brasília (UnB) no campus Ceilândia, vê sua presença na universidade como resultado de políticas públicas e uma esperança para jovens negros. Ele combate o racismo institucional, especialmente na assistência a mulheres negras e indígenas, afetadas pela alta mortalidade materna. Para João Victor, o Dia da Consciência Negra simboliza vitórias coletivas, incentivando a persistência para um sistema de saúde mais justo. Essas histórias ilustram como a representatividade negra transforma o cuidado e a pesquisa, resistindo a desigualdades estruturais.