A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) vai marcar presença na COP30, em Belém, no Pará, com a AgriZone, um espaço inovador que serve como vitrine para tecnologias, ciência e cooperação internacional na agricultura sustentável. Aberto ao público com inscrição gratuita, o local promete cerca de 400 eventos, exposições e experiências interativas durante as duas semanas do evento. Em entrevista, o pesquisador Jorge Werneck, da Embrapa Cerrados, destacou que o projeto surgiu há um ano para evidenciar o protagonismo do agro nacional, que alimenta cerca de 10% da população mundial. A iniciativa resulta da Jornada pelo Clima, uma série de debates com mais de 100 palestrantes e 2 mil participantes de diferentes biomas, envolvendo especialistas, sociedade civil e setores agroambientais para identificar desafios e oportunidades.
A AgriZone, instalada na Embrapa Amazônia Oriental, contará com cinco auditórios para discussões simultâneas, apoiadas pelo Ministério da Agricultura e outros parceiros. Werneck enfatizou a pluralidade do espaço, com 25% das sessões lideradas por governos nacionais e internacionais, 15% por ONGs, 15% por empresas e 15% por instituições de ensino e pesquisa, promovendo um fórum de troca de experiências e soluções conjuntas. O foco é na agricultura tropical sustentável, exibindo mais de 70 técnicas e variedades de cultivos em campo, que aliam produtividade, baixa emissão de carbono e resiliência climática.
Sobre financiamentos climáticos, Werneck observou a necessidade de R$ 1,3 trilhão anuais para limitar o aquecimento a 1,5°C, mas apenas 20% desse valor foi alcançado. Ele citou o presidente da COP30, André Corrêa do Lago, que cobra responsabilidade compartilhada entre nações, reforçando o multilateralismo com mais de 150 delegações. A AgriZone busca gerar relevância e engajamento, mostrando que o Brasil pode liderar em soluções agrícolas que evitam altas nos preços de alimentos, mesmo diante de mudanças climáticas.